Entrudo de Góis

O Entrudo Tradicional das Aldeias do Xisto de Góis ocorre todos os anos no domingo gordo antes do Carnaval. Os foliões, cobertos com roupas velhas e máscaras de cortiça, com os bolsos cheiros de bugalhos para atirar às pessoas e fazendo barulho com chocalhos e guizos, percorrem as aldeias, pregando partidas à população e lendo quadras jocosas sobre os habitantes. As máscaras são uma das imagens mais característica deste Entrudo, caretas diabólicas desdentadas feitas a partir da extracção da cortiça do sobreiro ou do aproveitamento de velhos cortiços das abelhas, adornadas com bigodes e sobrancelhas de lã de ovelha e por vezes com cornos de chibo ou carneiro. São quase todas feitas por um único artesão, José Cerdeira, nascido em 1933, e cuja visita à sua oficina revela um universo fantástico repleto de miniaturas de moinhos, noras, arados, picotas, dobadoiras, carros de bois, casas de xisto, animais, árvores, flores, terços gigantes, bonecos loucos e, claro, as máscaras de cortiça que começou a construir há 20 anos. 

The Traditional Carnival of the Schist Villages of Góis takes place every year on Sunday before Carnival. The revellers, all dressed up in old clothes and cork masks, with their pockets filled with “bugalhos” to throw at people and making noise with cowbells and rattles, run across the villages playing tricks on the population and reading jokes about the villagers. The masks are one of the most iconic image of this Carnival, with their toothless diabolic grimaces made from the harvesting of cork from the Cork Oak or from the reuse of old bees’ tenements, adorned with whiskers and eyebrows made out of sheep’s wool and sometimes with horns of goat or lamb. Almost all of theses masks are made by a single craftsman, José Cerdeira, born in 1933. A visit to his workshop reveals a fantastic universe filled with miniatures of traditional rural devices, animals, trees, flowers, giant rosaries, crazy dolls and, of course, the cork masks that he began to make 20 years ago.

Cruzes Canhoto – Arte Bruta, Primitiva e Popular
02/2018

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